História do Solar
Depois de se atravessar uma zona de searas e um denso pinhal, para quem vem de Chaves abre-se à esquerda a aldeia de Casas Novas, de nobres tradições. O Solar está situado sobre uma pequena colina. Jóia da arquitectura barroca, foi totalmente restaurado e transformado num magnífico Hotel Rural de Charme, onde encontrará requinte e qualidade!
Em termos históricos nos arredores de Casas Novas celebrou-se em 20 de Setembro de 1837, a assinatura do importante acto histórico da Convenção de Chaves que terminou com a denominada Revolta dos Marechais. Na aldeia o Hotel Rural de charme é o edifício de maior destaque. Trata-se de um antigo Solar com uma antiga e relevante História. Após o seu restauro, ainda se mantém imponente o Solar do Conde de Penamacor também chamado Solar do Visconde do Rosário.
No final do século XVIII, o Solar era propriedade o 2º Conde de Penamacor, António de Saldanha de Albuquerque e Castro Ribafria, nasceu a 3 de Novembro de 1815 e morreu a 15 de Maio de 1864. Era filho do Alcaide-mor de Sintra e de D. Maria Teresa Braamcamp. Terá sido ele que mandou gravar a pedra de armas que se encontra na fachada do Solar. Outras fontes apontam como responsável desta gravação o seu pai, João Maia Rafael Saldanha de Albuquerque e Castro Ribafria.
Em Casas Novas, o nome Albuquerque do terceiro quartel foi substituído por Pereira, apelido e armas do pai da avó paterna do 2º Conde. O título de Conde de Penamacor tem uma história curiosa e invulgar. O rei D. Afonso V, em 1475, concedeu-o ao seu valido e Camareiro-mor D. Lopo de Albuquerque, que foi embaixador do Rei de Castela e Roma. Este 1º Conde, tendo sido considerado culpado na conspiração dos Duques de Viseu e Bragança contra D. João II, receando o castigo deste, fugiu do país. Depois de uma vida aventurosa, acabou por morrer no exílio, em Sevilha. Por isso o título não foi renovado e assim se manteve durante mais três séculos, embora os seus descendentes tivessem regressado a Portugal e prestado relevantes serviços em sucessivas gerações.
A associação das armas referidas deve-se à seguinte linha de sucessão: D. Luís de Albuquerque, neto do primeiro conde, casou com uma filha do grande Vice-rei D. João de Castro. Desse casamento nasceu uma filha, D. Luíza de Castro, que casou com André Gonçalves Ribafria, Alcaide-mor de Sintra, filho de Gaspar Gonçalves Ribafria. Uma bisneta destes casou com Manuel de Saldanha Távora, Capitão-mor das Naus da Índia. É um bisneto destes que se liga pelo casamento a Casas Novas. O título foi renovado em 1844 por D. Maria II num neto deste último que assim veio a ser o 2º Conde de Penamacor. A ascendência do 2º Conde em Casas Novas, tendo um percurso histórico completamente diferente, é um bom e curioso exemplo da mobilidade social que caracteriza a sociedade portuguesa. Ademais, revela-nos um notabilíssimo flaviense que está completamente esquecido.
Este solar foi mais tarde vendido pela família, passando para a posse de uma filha do Visconde do Rosário. Mais tarde foi doado por esta à Santa Casa da Misericórdia de Chaves.
Falemos agora desta família. Como foi dito, a casa foi habitada pela Viscondessa do Rosário, Maria Clementina Conde Saraiva. Era filha do Visconde do Rosário, Manuel José Conde, e de D. Eufrosina Ermelinda do Nascimento, natural da Bahia. Casada com António Teixeira de Morais, adoptou a cidade de Chaves como sua terra. Faleceu em 21 de Dezembro de 1935.
O seu marido António Teixeira de Morais, era natural de Casas Novas, e faleceu em Lisboa em 6 de Junho de 1887. Esteve no Brasil durante muitos anos. A Câmara de Chaves dedicou-lhe uma rua urbana pelo facto de ter doado à Santa Casa da Misericórdia da cidade, a quantia de 40 contos (em moeda brasileira), destinada a cuidar dos pobres da sua freguesia. Além da avultada importância em dinheiro, doou também a sua quinta de Casas Novas, em 12 hectares e respectiva casa solarenga, brasonada, aos mesmos fins.